quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A cafeteira

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Café é um dos meus maiores vícios. O cheiro, o sabor, a cor: tudo nele é prazeroso. Minha obsessão me levou a ser fissura em qualquer coisa que esteja relacionada a ela Desde produtos de beleza e chocolates com café, até as lojas que apresentam o mesmo nome do produto que comercializam: cafés. Claro que as cafeteiras não poderiam faltar nessa lista. Máquinas incríveis, não? Em dois a três minutos, fazem aquilo que você faria com um pouco mais de trabalho em dez, quinze minutos.

Há muito tempo, meu pai comprou uma cafeteira. Ninguém ousou tocar nela e a coitada foi parar dentro de um armário empoeirado sem ser desencaixotada. Certo dia das minhas férias, arrisquei usa-la. Tirei-a da caixa. Limpei-a. Segui tudo conforme indicado no manual de instruções. Poucos minutos depois estava saindo uma xícara pequena do precioso líquido. Tomei-a. Me decepcionei. A bebida, que é conhecida como quente, estava morna, quase fria. O gosto? Tendendo ao intragável. "O café que faço com uma panela e um filtro de papel é bem melhor que esse" penso.

Pergunto-me o que faz alguém adquirir um apareljo tão caro para, depois, ser impedido de degustar um bom café. Logo em seguida a resposta aparece na minha mente. Vivemos em uma sociedade em que cada segundo vale uma fortuna. No caso, "perder" segundos realizando algo que uma máquina pode fazer no seu lugar seria "perder dinheiro", certo? Não me julgue pelo último período. Tanto eu quanto você sabemos que existem pessoas que, infelizmente, pensam assim.

É assim que o ser humano pretende viver? Entregando os pequenos prazeres da vida à tecnologia avançada apenas para alimentar a ansiedade que, cada vez mais, consome a população mundial? Não pense nas cafeteiras. Pense na quantidade de coisas que ficaram "obsoletas" por conta da necessidade que as pessoas têm de velocidade na vida deles. Qual foi a última vez que você enviou uma carta para alguém? Nunca enviou? Que pena. Contudo, não posso julga-lo. Só o fiz uma vez no ensino fundamental como parte de um projeto da escola. Para que cartas se temos o Whatsapp, que envia mensagens instantaneamente?

Largar o relógio de lado e apenas curtir o momento é preciso em meio a um momento em que  cerca de 23 milhões dos mais de sete bilhões de habitantes do planeta terra são usuários de Rivotril. Portanto, coloque um pouco de água para esquentar no fogão a lenha e aproveite para escrever uma carta para uma pessoa querida. Depois, se delicie com uma xícara farta de café feito em casa. A vida não é tão curta a ponto de não podermos saborear cada momento lentamente. 

2 comentários:

  1. Aiii maria... que delicia ler os seus textos rs

    Já dizia Fernando pessoa:

    As minhas ansiedades caem
    Por uma escada abaixo.
    Os meus desejos balouçam-se
    Em meio de um jardim vertical.

    Na Múmia a posição é absolutamente exata.

    Música longínqua,
    Música excessivamente longínqua,
    Para que a Vida passe
    E colher esqueça aos gestos.


    Ahhhh... Não seria o café o seu Rivotril ? kkkkk
    Beijinhos Maria

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  2. Eu também sou apaixonada em café! Ando tendo a mesma sensação que você.. As pessoas não sabem aproveitar os pequenos prazeres, querem tudo do mais fácil! Como é bom fazer um café (com água fervida, "normalmente") e sentir o cheirinho do café se espalhando pela casa inteira...

    Beijo,
    www,domingodeinverno.blogspot.com.br

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