sábado, 6 de agosto de 2016

{Playlist} BATEU A BAD


A vida, muitas vezes, nos dá rasteiras que proporcionam dores profundas. Dependendo da intensidade desse sofrimento, demoramos de nos recompor, levantarmos e continuarmos a viver. Nesses momentos, tudo o que queremos é ficar deitados em posição fetal e chorar - resumindo, queremos vivenciar aquele momento triste. 

Em diversos momentos pelos quais a bad não bateu, mas sim, me espancou, escutei músicas que, apesar de piorarem o sentimento, me confortavam. Acredito que todo mundo deve se dar o direito de experimentar a tristeza (a famosa "bad") da forma mais nua e crua possível. Por isso, fiz um compilado com essas canções para que, quando o desânimo aparecer, vocês tenham-nas para lhes acompanhar nesses instantes. Espero que gostem e utilizem-na!

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A relação brutal entre tempo e dinheiro


Ansiedade. Estresse. Cansaço. Esses são os reflexos de uma sociedade submissa ao tempo. Tal entidade física, no auge do Capitalismo, é cultuada como sendo sinônimo de dinheiro. No entanto, essa ligação é brutal, uma vez que se reflete negativamente no sistema e no indivíduo.

Em meados do século XX, a dinâmica capitalista atinge seu ápice ao implementar a Revolução Tecnico-científica-informacional. Tal modelo traz como característica marcante a cobrança excessiva por maior produtividade ao funcionário, algo que expõe a necessidade de desfrutar do tempo existente para potencializar o lucro. Contudo, essa exigência em demasia promove o esgotamento do trabalhador, o que faz o tão almejado rendimento máximo permanecer apenas no Ciclo de Carnot - circuito no qual uma máquina térmica apresenta a maior eficiência possível.


Como consequência da dinâmica apresentada, há a supervalorização do dinheiro por parte do cidadão, algo que o torna escravo do tempo. A ansiedade e o estresse gerados pela "necessidade" de viver em prol do futuro não permitem que o indivíduo "aproveite o dia", o que vai de encontro com os ideais árcades. Prova disso é a emblemática ideologia "hoje eu trabalho, amanhã eu usufruo", que estimula as pessoas a abrirem mão do presente para se "beneficiar" do capital na posterioridade.

Simbolizar tempo em dinheiro traz consequências negativas para o modelo capitalista e para o cidadão. Logo, é preciso que os sindicatos promovam fiscalizações rigorosas nas empresas a fim de evitar relações trabalhistas abusivas. Além disso, é necessário que ONG's realizem campanhas nos espaços públicos para conscientizar a população sobre a importância de desacelerar internamente. Isso permitirá o desenvolvimento de uma sociedade menos vinculada ao capital.

sábado, 23 de julho de 2016

A desigualdade étnica no ensino superior


Escravidão. Preconceito. Cotas. Esses são os reflexos da desigualdade étnica que impera no país. Tal divergência, no entanto, também está presente no campo educacional. Isso decorre dos fatores históricos e culturais da nação e medidas governamentais foram necessárias para minimizar a situação.

A abolição da escravatura no ano de 1888 ilegalizou uma prática desumana cultivada durante séculos no país. Tal ação, contudo, contribuiu para expandir a disparidade social entre brancos e negros. Com a necessidade de contratar mão de obra assalariada, muitos patrões preferiram empregar estrangeiros com o objetivo de cooperar com a política de embranquecimento da população brasileira. Isso permitiu a exclusão e marginalização dos afrodescendentes, algo que originou as atuais diferenças sociais que dificultam o seu acesso à oportunidades de melhoria de vida.


A implementação da Lei de Cotas pelo Governo Federal foi a providência tomada a fim de reverter um quadro civil enraizado há décadas no país. Essa medida, todavia, sofre com a desaprovação de parte da sociedade. Tal parcela da população "justifica" sua indignação ao declarar que as cotas não são necessárias, uma vez que "não existe desproporção no grupo cívico brasileiro". No entanto, tal explicação contribui para a perpetuação dessa disparidade social, visto que ela, segundo o pesquisador André Lázaro, mostra que a negação, e não a ação, é o modo como a sociedade enfrenta o racismo. Isso corrobora o caráter irregular do acesso à academia. 

A distinção de etnias na educação universitária provém de condições históricas e culturais. Logo, é preciso que ONG's, através de campanhas nas comunidades e nas escolas, conscientizem os cidadãos a respeito da desigualdade étnica existente e da necessidade das cotas raciais. Isso possibilitará a redução dessa desproporção social. 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A exigência de desempenho feita, hoje, aos indivíduos


Disciplina. Sobrecarga. Esforço. Esses são alguns símbolos do capitalismo contemporâneo. Em decorrência da dinâmica mundial desse modelo, há uma exigência excessiva de produtividade máxima sobre o cidadão. Isso pode gerar, futuramente, o colapso do ser humano.

Os Estados Unidos, representação suprema do capitalismo, possuem uma cultura totalmente voltada para a submissão ao trabalho. Devido a sua tradição protestante, ocorre uma imposição social sobre o indivíduo a fim de que ele seja servo do sistema. Prova disso é o fato de que o trabalhador ianque hesita em solicitar férias, pois teme ser taxado de preguiçoso e perder o seu emprego. A dinâmica estadunidense, no entanto, está presente em todo o planeta. Objetivando potencializar a mais-valia, o modelo capitalista demanda mais do que é necessário do ser humano e esse, para se encaixar no modelo, consente a existência desse exploração ao permitir a supressão dos seus direitos trabalhistas.


O advento do capitalismo convulsionou o mundo ao implementar a revolução tecnico-científica. Essa nova conjuntura passou a exigir uma maior qualificação por parte do ser humano e esse, buscando se enquadrar no funcionalismo mundial, cumpre tal outorgação. Contudo, muitos extrapolam o limite físico e mental de si mesmos ambicionando serem os melhores dentre os demais, algo que, futuramente, os esgotará. Reflexo disso é o costume que alguns estudantes possuem de consumir excessiva e indiscriminadamente medicamentos. Alguns desses são a Anfetamina, que reduz o nível de sono, e a Ritalina, que expande a concentração do indivíduo. Entretanto, tais fármacos, respectivamente, podem causar dependência e são indicados apenas para pessoas com deficit de atenção.

O funcionalismo capitalista gera a sobrecarga do indivíduo. Logo, é necessário que os Sindicatos fiscalizem e avaliem as relações trabalhistas dentro de empresas a fim de evitar a exploração do empregador. Além disso, é preciso que o ser humano, através de tratamento psicológico, reduza esse abuso que ele comete contra si mesmo. Tais medidas permitirão o desenvolvimento de uma sociedade menos conturbada.



"Estou cansado de pessoas romantizando o esforço excessivo. Exaustão não é o novo chique. Café (uma deliciosa necessidade) não compõe um grupo alimentar e fumar não é admirável. Porque colocamos pedestais em noites mal dormidas, separações e agitações internas? Essas são as coisas pelas quais devemos realmente aspirar por? Cuidados com si mesmo; equilíbrio; a habilidade de saber quando seu corpo, sua mente e seu espírito precisam descansar. Essas são as coisas que deveríamos admirar. Nós precisamos parar de borrar a linha entre "comprometimento" e "colocar-se em perigo", pois muitas pessoas se apagam antes de terem a chance de brilhar verdadeiramente." (tradução livre por mim)

domingo, 29 de maio de 2016

A cultura do estupro


Em meio a discussão sobre o caso da menina que foi estuprada por trinta homens, não posso deixar de me solidarizar com a questão e tentar problematizá-la aqui no blog. O texto que trago a seguir foi escrito há quase um ano. Infelizmente, a realidade exposta nele não mudou e, diante disso, me vejo perguntando quantas vezes essa atrocidade ainda acontecerá para que a sociedade perceba que isso é um absurdo. Até lá, o que podemos fazer é tentar conscientizar as pessoas através das palavras. Espero que apreciem a leitura :)


 Violência. Desrespeito, Dor. Tais palavras definem o estupro, ato bastante presente no cotidiano brasileiro e que afeta, principalmente, mulheres. Apesar de ser uma ação desumana, grande parte dos seus executores saem impunes do feito. Isso se deve a prevalência da ideia de que a vítima é a causadora e merecedora disso.

 Segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça, há a denúncia de apenas 7% a 8% dos casos de abusos sexuais ocorridos no país. A culpabilização da vítima é um dos fatores que possibilitam a permanência desse quadro. Por saberem que a falta recairá sobre eles, as estupradas, na maioria das vezes, não delatam o agressor. Isso, além de ocultar o sofrimento feminino, estimula a maior ocorrência desses atos, pois os estupradores terão a certeza de que não enfrentarão as consequências.


 A objetificação da mulher é outro agravante. Desde a educação informal, até nas campanhas publicitárias, cultiva-se a concepção de que o corpo feminino é um produto de consumo e posse masculinos. Infelizmente, isso é ensinado às crianças, o que faz com que tanto meninos quanto meninas tomem isso como uma verdade e levem essa ideia consigo pelo resto de suas vidas. Prova disso é a pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Essa mostra que o ato de estuprar é aceito por 26% dos seus entrevistados, de ambos os sexos, caso a mulher utilizar roupas que revelem sua estrutura corporal

 A cultura do estupro é responsabilidade da sociedade, uma vez que essa dissemina costumes de alto cunho machista. Logo, é necessário que as escolas criem projetos que visem a discussão desse tema e mostrem aos estudantes que as mulheres, além de não merecerem sofrer tal ato, também não são culpadas pela sua ocorrência. Isso permitirá o desenvolvimento de adultos conscientes acerca dos direitos femininos e, consequentemente, de uma sociedade igualitária.

sábado, 21 de maio de 2016

A submissão feminina na contemporaneidade


 Marie Curie. Ruby Bridges. Malala Yousafsay. Essas são algumas mulheres que foram contra os padrões femininos de suas culturas e revolucionaram a visão que o mundo tinha dos indivíduos do sexo feminino. No entanto, apesar da condição da mulher ter melhorado, a submissão feminina ainda existe devido a fatores históricos e culturais.

 A década de 60 "rompeu" com o modelo imposto às mulheres. Nesse momento, um movimento expôs o desejo feminino de exercer funções que iam além do ambiente familiar. Como reflexo disso, hoje os indivíduos do sexo feminino possuem diversos direitos que não usufruíam decênios atrás. Contudo, as figuras femininas ainda permanecem com o dever de cuidar da casa e dos filhos e de satisfazer o companheiro, assim configurando um quadro de subordinação feminina aos parâmetros sociais. Em conformidade com isso, uma professora de um dos programas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística afirmou que as mulheres realizaram uma revolução de gênero pela metade. 


 A história de Malala Yousafsay mostrou ao mundo que há muitas mulheres que apresentam suas garantias suprimidas. A garota sofreu um ataque terrorista pois fora contra a proibição de indivíduos do sexo feminino ao acesso à educação. Isso é um quadro frequente em nações africanas, asiáticas e do Oriente Médio. Em decorrência da cultura arcaica, machista e fechada para as "inovações" do ocidente, muitas figuras femininas desses países sofrem com a inexistência de direitos básicos, como o de votar e o de estudar. Além disso, elas toleram práticas culturais abusivas, como mutilação genital, o que evidencia a sua sujeição a normas que contrariam os direitos humanos.

 A subalternidade feminina atual deriva de questões culturais e históricas. Logo, é preciso que as escolas, através de palestras e debates, mostrem a seus alunos a importância do movimento feminista e os incentive a lutar por direitos iguais para todos os gêneros. Além disso, é necessário que adolescentes e adultos politizados utilizem a internet para pressionar órgãos internacionais a fim de que eles intervenham nas atrocidades existentes contra os indivíduos do sexo feminino no mundo oriental. Tais medias permitirão que, não só as mulheres, mas também todos tenham liberdade, pois, como diria Simone de Beauvoir, "Querer ser livre é querer livres os outros".

sábado, 7 de maio de 2016

Assalto à mente armada



Angustia. Desnorteamento. Insegurança.  Esses são alguns sentimentos que me consomem há muito tempo. O motivo? Ansiedade. Uma vilã que vive dentro de mim desde os meus doze anos e, desde então, prejudica a minha vida em todos os aspectos. Perdi a conta de quantas vezes não fui bem em uma prova ou apresentei mal um trabalho escolar por culpa dessa maldita. Inúmeras foram às noites em que não consegui dormir por causa desse distúrbio.
É terrível não ter controle sobre si mesmo. Não desejo a ninguém a experiência de conviver com crises de tensão repentinas onde a respiração é desregulada, o coração tenta sair pela boca, a cabeça explode e você tem a breve sensação que vai morrer. Imagine lidar com isso semanal e, ás vezes, diariamente?

Muitos dizem que doenças psicológicas são “frescura” e “doença de rico”. Outros chegam ao ponto de afirmar que as vítimas de tais enfermidades são loucas por, em alguns casos, necessitarem de tratamento psiquiátrico. Sei que tais julgamentos derivam, em sua maioria, da ausência de conhecimento sobre a problemática. Porém, em pleno século XXI, onde transtornos mentais são considerados os males do centenário, não procurar entender o que são eles e como eles funcionam é, simplesmente, falta de interesse.

Sinto muito caso eu esteja sendo ignorante com você, leitor. No entanto, tente entender minha (e a de tantos outros) posição: lidar com tais disfunções psíquicas não é e nunca foi fácil. Não é algo agradável estar bem e, do nada, começar a sentir-se mal. Não é legal acreditar, por um período de tempo, que você é a pior pessoa do universo porque você vive remoendo momentos torturantes de sua vida. Não é divertido ser refém de si mesmo.