terça-feira, 15 de novembro de 2016

Uma ponta de esperança


Passei mais um final de semana da minha vida em função do ENEM. Contando a última prova, realizei o exame quatro vezes. Nos três primeiros anos, fiz a prova extremamente apreensiva e ansiosa e saia da sala de aplicação sabendo que o resultado não ia ser o melhor. A redação? Meu maior medo. Tinha um ataque de pânico só de pensar em produzir uma dissertação-argumentativa. 

Com o ENEM 2016 foi diferente. Eu senti isso dentro de mim. Realizei a prova equilibrada emocionalmente, algo que me permitiu ter calma e vontade de fazer as questões. A redação? Deixou de ser um problema há bastante tempo.

As vezes a gente não sabe o porquê de não ter conseguido algo em determinado momento. Porém, a vida sempre nos mostra que cada um tem a sua hora. Posso não conseguir o meu objetivo esse ano, mas aprendi coisas que os últimos três não foram capazes de me mostrar. Ainda assim, sigo com uma ponta de esperança, esperando o dia dezenove de janeiro chegar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A reintegração do usuário de crack na sociedade


Cocaína. Maconha. Heroína. Essas são algumas das drogas mais usadas do mundo. Em meio a um século no qual o crack é a substância ilegal que predomina no país, questiona-se sobre a reintegração do usuário na sociedade. Essa não ocorre em decorrência de questões culturais e estruturais.

O Naturalismo foi um movimento literário que ocorreu em meados de 1800. Ele possuía como objetivo expor a realidade daqueles que eram subjulgados socialmente, como os trabalhadores. Na era da Revolução Tecnico-Científica-Informacional, o utilizador de entorpecentes seria o alvo dos estudos naturalistas. A cultura brasileira, desde os tempos coloniais, tende a marginalizar aqueles que fogem do padrão, seja pelo preconceito, seja pelo tabu. Isso, além de prejudicar a inclusão do utilizador, contribui para que ele não saia do ciclo do vício.


Como consequência da dinâmica apresentada, há a retardação nas pesquisas sobre esse problema social. Cientistas, influenciados pelo seu próprio preconceito ou pelo da sociedade, muitas vezes, se negam a tentar entender o dependente e desenvolver uma maneira de curá-los. Somado a isso, existe também a ausência de investimentos nos projetos que visam atuar nesse conflito de saúde pública, o que promove a manutenção de um modelo arcaíco e, por conseguinte, a geração de um baixo índice de reintegração. Prova disso é o fato de que a Suíça, na década de 80, após se ver em meio a um caos causado pela Heroína, passou a seguir s terapêutica baseada na pesquisa do professor Bruce Alexander, que permitiu que 2/3 dos pacientes conseguissem arrumar um emprego.

A inclusão do consumidor de crack não acontece devido a fatores culturais e estruturais. Logo, é preciso que ONG's, através de campanhas nos espaços públicos, conscientizem a população a respeito da importância de restabelecer o utilizador do entorpecente na sociedade. Além disso, é necessário que tanto o Governo quanto empresas privadas, por meio de parcerias, invistam no progresso de tratamentos mais eficientes. Essas propostas permitirão que o usufruidor da substância ilícita se integre ao meio social novamente.

sábado, 10 de setembro de 2016

A inclusão do deficiente na sociedade

Observação: resolvi postar esse texto hoje para expor minha indignação a várias emissoras que fizeram questão de transmitir os Jogos Olímpicos, mas que estão "cagando e andando"para as Paralímpiadas.


Cão guia. Cadeira de rodas. Libras. Esses são alguns argumentos elementos presentes no cotidiano de um deficiente físico. Em meio a um ano no qual o país sedia as paralímpiadas, questiona-se sobre a inclusão dos portadores de necessidades especiais na sociedade, visto que há empecilhos estruturais e culturais que dificultam esse processo.

Os espartanos eram extremamente intolerantes em relação aos que apresentavam debilidades anatômicas, uma vez que promoviam a eliminação desses indivíduos a fim de gerar o "exército perfeito", A criação de uma "raça pura" ressurge no século XIX na República brasileira. A ausência de acessibilidade nas diversas esferas sociais permite que apenas cidadãos considerados "normais" exerçam seu direito ao convívio social. Isso promove a "seleção artificial" daqueles que não se encaixam no "padrão corporal", algo que os exclui socialmente.


Como consequência da dinâmica apresentada, ocorre o desenvolvimento de uma cultura de incompreensão e distanciamento do deficiente. A série "Demolidor", um dos produtos mais famosos da Netflix, relata a história de um rapaz que, apesar de apresentar deficiência visual, é um super-herói. Ofuscada por essa e tantas outras visões romantizadas dessas funções, o cidadão comum passa a acreditar que o portador de necessidades especiais é capaz de "enfrentar as barreiras sociais" impostas a ele. Isso contribui para que não haja reivindicações de adaptações para esses indivíduos, o que leva a isenção de tal parcela da população do convívio social.

As dificuldades de se incluir os deficientes na sociedade decorrem de fatores estruturais e culturais. Logo, é necessário que o Governo Federal, através de políticas públicas para portadores de necessidades especiais, potencialize a mobilidade urbana. Além disso, é preciso que ONG's, por meio da campanhas nos espaços de convivência, desconstrua a visão social existe sobre esses indivíduos. Essas propostas permitirão que as disfunções anatômicas deixem de ser obstáculos integrativos.

Observação 2: sinto muito se alguma pessoa com deficiência ficou chateado com os sinônimos que usei no texto. Como fiz esse texto para a minha professora de redação, eu não podia repetir as palavras :( e eu não sabia outras que não fossem "ofensivas". 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A intolerância em xeque


Racismo. Homofobia. Machismo. Esses são os reflexos de uma sociedade austera. Em pleno século XXI, ainda existem pensamentos reacionários que afetam negativamente os entes sociais. Prova disso é o aumento da popularidade de políticos defensores de ideais radicais. Tal tendência decorre de fatores históricos e culturais.

A "descoberta" e fundação da nação verde-amarela no século XVI contaram com uma base religiosa e patriarcal. Por muito tempo, a Igreja Católica e os "homens bons" controlaram e impuseram uma moral social alicerçada nas suas ideias. No entanto, apesar dos avanços políticos, econômicos e tecnológicos, o país ainda traz como herança dos tempos pré-republicanos o pensamento primitivo através da intolerância. Reflexo disso é a existência de uma inflexibilidade por parte de grupos religiosos tradicionais em relação a crenças de matriz africana, algo muito comum no período colonial brasileiro e que persiste na República.


Como consequência da dinâmica apresentada, há a instalação de ideais reacionários na sociedade, algo que gera a rigidez a cerca de pensamentos liberais. A herança católica e machista ainda padroniza o imaginário popular, fato que o sociólogo Émile Durkheim nomeou de "consciência coletiva". Essa unificação de reflexões corrobora para o fortalecimento da intolerância, visto que, por permearem a moral social, tais ideias, muitas vezes, são maquiadas como "opinião", quando, na verdade, são discursos de ódio, algo que as "justifica". Prova disso foi a polêmica que envolveu o tema da redação do Enem 2015, na qual algumas pessoas expressavam sua indignação ao afirmar que "tal problema não existe".

A problemática da austeridade na nação deriva de questões históricas e culturais. Logo, é necessário que as escolas, baseando-se nas aulas de Sociologia, discuta esse tema com seus alunos a fim de conscientizá-los sobre esse distúrbio social. Além disso, é preciso que ONG's, por meio de campanhas nos espaços públicos, desconstruam o pensamento popular primitivo. Isso contribuirá para o desenvolvimento de uma sociedade menos intolerante.

sábado, 6 de agosto de 2016

{Playlist} BATEU A BAD


A vida, muitas vezes, nos dá rasteiras que proporcionam dores profundas. Dependendo da intensidade desse sofrimento, demoramos de nos recompor, levantarmos e continuarmos a viver. Nesses momentos, tudo o que queremos é ficar deitados em posição fetal e chorar - resumindo, queremos vivenciar aquele momento triste. 

Em diversos momentos pelos quais a bad não bateu, mas sim, me espancou, escutei músicas que, apesar de piorarem o sentimento, me confortavam. Acredito que todo mundo deve se dar o direito de experimentar a tristeza (a famosa "bad") da forma mais nua e crua possível. Por isso, fiz um compilado com essas canções para que, quando o desânimo aparecer, vocês tenham-nas para lhes acompanhar nesses instantes. Espero que gostem e utilizem-na!

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A relação brutal entre tempo e dinheiro


Ansiedade. Estresse. Cansaço. Esses são os reflexos de uma sociedade submissa ao tempo. Tal entidade física, no auge do Capitalismo, é cultuada como sendo sinônimo de dinheiro. No entanto, essa ligação é brutal, uma vez que se reflete negativamente no sistema e no indivíduo.

Em meados do século XX, a dinâmica capitalista atinge seu ápice ao implementar a Revolução Tecnico-científica-informacional. Tal modelo traz como característica marcante a cobrança excessiva por maior produtividade ao funcionário, algo que expõe a necessidade de desfrutar do tempo existente para potencializar o lucro. Contudo, essa exigência em demasia promove o esgotamento do trabalhador, o que faz o tão almejado rendimento máximo permanecer apenas no Ciclo de Carnot - circuito no qual uma máquina térmica apresenta a maior eficiência possível.


Como consequência da dinâmica apresentada, há a supervalorização do dinheiro por parte do cidadão, algo que o torna escravo do tempo. A ansiedade e o estresse gerados pela "necessidade" de viver em prol do futuro não permitem que o indivíduo "aproveite o dia", o que vai de encontro com os ideais árcades. Prova disso é a emblemática ideologia "hoje eu trabalho, amanhã eu usufruo", que estimula as pessoas a abrirem mão do presente para se "beneficiar" do capital na posterioridade.

Simbolizar tempo em dinheiro traz consequências negativas para o modelo capitalista e para o cidadão. Logo, é preciso que os sindicatos promovam fiscalizações rigorosas nas empresas a fim de evitar relações trabalhistas abusivas. Além disso, é necessário que ONG's realizem campanhas nos espaços públicos para conscientizar a população sobre a importância de desacelerar internamente. Isso permitirá o desenvolvimento de uma sociedade menos vinculada ao capital.

sábado, 23 de julho de 2016

A desigualdade étnica no ensino superior


Escravidão. Preconceito. Cotas. Esses são os reflexos da desigualdade étnica que impera no país. Tal divergência, no entanto, também está presente no campo educacional. Isso decorre dos fatores históricos e culturais da nação e medidas governamentais foram necessárias para minimizar a situação.

A abolição da escravatura no ano de 1888 ilegalizou uma prática desumana cultivada durante séculos no país. Tal ação, contudo, contribuiu para expandir a disparidade social entre brancos e negros. Com a necessidade de contratar mão de obra assalariada, muitos patrões preferiram empregar estrangeiros com o objetivo de cooperar com a política de embranquecimento da população brasileira. Isso permitiu a exclusão e marginalização dos afrodescendentes, algo que originou as atuais diferenças sociais que dificultam o seu acesso à oportunidades de melhoria de vida.


A implementação da Lei de Cotas pelo Governo Federal foi a providência tomada a fim de reverter um quadro civil enraizado há décadas no país. Essa medida, todavia, sofre com a desaprovação de parte da sociedade. Tal parcela da população "justifica" sua indignação ao declarar que as cotas não são necessárias, uma vez que "não existe desproporção no grupo cívico brasileiro". No entanto, tal explicação contribui para a perpetuação dessa disparidade social, visto que ela, segundo o pesquisador André Lázaro, mostra que a negação, e não a ação, é o modo como a sociedade enfrenta o racismo. Isso corrobora o caráter irregular do acesso à academia. 

A distinção de etnias na educação universitária provém de condições históricas e culturais. Logo, é preciso que ONG's, através de campanhas nas comunidades e nas escolas, conscientizem os cidadãos a respeito da desigualdade étnica existente e da necessidade das cotas raciais. Isso possibilitará a redução dessa desproporção social.